Como jornalista, observando o cenário político do Espírito Santo, eu percebo um paradoxo gritante: prometemos renovação a cada ciclo, mas a Velha Política permanece de pé. Esta análise, baseada nos dados e ruídos da nossa sociedade, visa munir você, eleitor de 2026, de uma visão crítica. Eu afirmo que não basta ver o nome na urna; é preciso entender a estrutura de poder que se perpetua há mais de duas décadas.
O Déficit Histórico: 50 Anos de Tempo Perdido
A oligarquia que tem dominado a política capixaba não apenas se reveza no poder – ela gerou uma estagnação monumental. Eu afirmo: Vitória e o Espírito Santo parecem ter ficado à deriva por 50 anos.
A última grande obra estrutural que realmente transformou a vida e a logística do nosso estado foi a Terceira Ponte. De lá para cá, o desenvolvimento se arrastou. O revezamento Executivo entre apenas dois grandes grupos políticos nos últimos 24 anos é o retrato mais cruel dessa estagnação. Este ciclo de poder fechado garantiu a perpetuação do mesmo modos operandi, sufocando a alternância real de ideias.
O Marketing Recessivo: A Ilusão Vendida à Mídia Nacional
É aqui que a farsa atinge seu ápice. Eu chamo isso de marketing recessivo: a velha política investe pesado em propaganda para vender uma realidade que não existe.
Assistimos, por diversas vezes, a nossa capital sendo premiada por grandes veículos de mídia nacional – como a Revista Veja – sendo classificada como a “melhor cidade do Brasil” em gestão ou qualidade de vida. Eu, que vivo aqui, afirmo: isso é uma mentira.
O contraste é revoltante:
- De um lado, a propaganda mostra o aumento de câmeras de segurança: de 34 para 1.128 câmeras como um triunfo tecnológico.
- De outro, Vitória figura com um dos menores salários do Brasil!
A premiação externa serve apenas para criar um escudo de credibilidade para a gestão, permitindo que a oligarquia ignore a crise social, a estagnação salarial e o déficit acumulado.
A Corrida Desesperada e a Captura Digital
A percepção de que o timing foi perdido está gerando uma corrida desesperada e acelerada de entregas de obras. Esta mobilização frenética no final do ciclo não é um sinal de eficiência, mas uma tentativa de compensar 24 anos de inação.
Eu lembro: o Tribunal de Contas do Estado (TCE-ES) já apontou o custo da paralisação histórica, revelando 290 obras públicas paradas que consumiram mais de R$ 592 milhões em recursos públicosveja a auditoria do TCE-ES aqui. Essa vergonha demonstra que a corrida atual é uma correção tardia e desesperada de uma má gestão crônica.
O Marketing Multifacetado e a Captura Digital
Para potencializar essa corrida, a farsa usa as redes sociais:
- A Propaganda de Última Hora: Uma série de pequenas intervenções e a exaustiva propaganda dessas entregas visam moldar a mentalidade do eleitor.
- A Captura Digital (Otimismo Forçado): O surgimento de influenciadores digitais – jovens desvinculados do histórico socioeconômico da cidade – é uma tática fundamental. Eles criam vídeos positivistas e otimistas, vendendo a ilusão do progresso. Eu alerto: O eleitor precisa ter cuidado com esses influenciadores, que não têm lastro para analisar a estagnação histórica e acabam sendo vetores de uma narrativa que disfarça o déficit social.
O alto custo dessa operação (com campanhas que chegam a R$9,55 milhões para Prefeituras) prova que a capacidade de concorrer é restrita a quem já domina essas estruturas.
Orientação para o Eleitor: Como Votar Contra a Continuidade
A minha orientação para o eleitor de 2026 é de vigilância máxima contra o engodo do marketing tardio:
- Olhe o Salário, Não o Prêmio: Desconfie dos títulos de “melhor cidade”. Seu critério deve ser o custo de vida e o poder de compra de quem vive aqui.
- Analise o Cronograma: Pergunte-se: Por que essa obra só foi entregue agora? A entrega tardia é um sinal de má gestão anterior, não de competência atual.
- Vote na Alternância Real: O voto consciente ignora o marketing otimista e exige que os candidatos apresentem soluções para o déficit social de 50 anos, e não apenas para o problema da última semana.
A luta contra a perpetuação do poder exige vigilância constante e um voto consciente, livre dos ruídos da “Velha Política”.
Jornalista Lauro Nunes
