Enquanto os palanques oficiais do Espírito Santo ecoam discursos de “Nota A em gestão” e o título de “Melhor Cidade do Brasil para se viver”, eu, Lauro Nunes, convido o leitor a olhar para o que o marketing político tenta esconder: o contracheque de quem sustenta a base da nossa sociedade.
O novo piso salarial dos professores já está em vigor e o Congresso Nacional está de olho na sua aplicação. Mas aqui, no solo capixaba, o que vemos é uma coreografia ensaiada entre o Governador Renato Casagrande e o Prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini. Ambos se escondem atrás de uma suposta “responsabilidade fiscal” e diretrizes federais para manter salários que beiram o insulto.
A Escravidão da “Dupla Matrícula”
Eu conheço a realidade do chão de escola. Eu vejo o professor capixaba obrigado a manter uma dupla matrícula — correndo entre a rede estadual e a municipal — não por vocação ao excesso de trabalho, mas por uma estratégia desesperada de sobrevivência.
Como pode Lorenzo Pazolini ostentar que Vitória é a “melhor cidade” se o custo de vida da capital engole o salário inicial? Como Casagrande pode falar em avanços se a base do magistério estadual luta para se descolar do mínimo? Segundo dados do IBGE sobre o Espírito Santo, a pujança econômica que os governantes ostentam não esconde o fato de que ainda temos uma massa da população vivendo sob condições de vulnerabilidade, e o professor está sendo empurrado para essa estatística.
O Grito das Ruas: A Praça Costa Pereira e a ALES Não Mentem
Essa indignação não é apenas minha. Enquanto o marketing oficial tenta vender uma paz social inexistente, o Centro de Vitória pegou fogo nos últimos dias. Eu vi o que a grande mídia tenta suavizar: servidores estaduais e municipais unidos em um grito de socorro. No último dia 28, na Praça Costa Pereira, e nesta semana, em frente à Assembleia Legislativa (ALES), o que se viu foi a revolta contra o reajuste de apenas 4% proposto pelo governo.
Como pode um estado com arrecadação recorde oferecer uma “esmola” de 4% enquanto a inflação e o custo de vida corroem o bolso do servidor? O barulho das vuvuzelas e os cartazes de “reajuste vergonha” são o verdadeiro termômetro da gestão Casagrande e Pazolini. A “Nota A” do Tesouro não compra o pão na padaria do professor que está na linha de frente.
O Contraste do Avanço vs. O Abismo Salarial
Não nego que existam esforços isolados de crescimento. Vemos o avanço em cidades como Cariacica, onde a gestão de Euclério Sampaio tem buscado desburocratizar e atrair investimentos reais. Mas o contraste é vergonhoso: o PIB cresce, a arrecadação explode, e o professor continua sendo o ajuste de caixa de governantes que preferem o brilho das estatísticas frias ao bem-estar de quem educa.
A desculpa de que “seguimos o Governo Federal” é a bengala dos incompetentes ou dos mal-intencionados. A soberania que eles tanto defendem em época de eleição desaparece na hora de valorizar o servidor. Se a responsabilidade fiscal é o deus que eles adoram, o sacrifício no altar é sempre o salário do trabalhador.
Meu Recado a Casagrande e Pazolini
A conta não fecha. E não sou eu quem diz, são os fatos. Se quiserem derrubar esta análise, que o façam na Justiça, pois no campo da realidade, a única coisa que está caindo é o poder de compra de quem ensina nossos filhos.
O Senado Federal já deu o tom: o piso é lei. Resta saber se Casagrande e Pazolini continuarão tratando a educação como um gasto a ser cortado ou como o investimento que dizem priorizar em seus vídeos de propaganda.
Assinado, Jornalista Lauro Nunes
