Jornalista, Ativista e Secretária das Mulheres – PV Serra/ES
O Espírito Santo amanheceu sob o impacto de uma tragédia que nos fere como sociedade e como mulheres. O covarde assassinato da Comandante da Guarda Municipal de Vitória não é apenas um número; é a interrupção da vida de uma mulher que dedicou sua trajetória a proteger outras vidas. Uma mãe, uma profissional exemplar, ceifada pela covardia do feminicídio.
Recebi um desabafo necessário da Sra. Miriam Gonçalves, da Associação Beneficente Caminho da Justiça, que reflete o sentimento de todas nós: “A cultura machista, o sentimento de posse e a falta de controle emocional geram esse ciclo de violência e impunidade. Meu coração está de luto por essa mulher batalhadora.”
Como Secretária das Mulheres da Serra, reitero: o feminicídio é o estágio final de uma pirâmide que começa muito antes. Ela começa no desrespeito, na tentativa de invalidação e no silenciamento das vozes femininas, inclusive dentro das instituições e espaços de poder.
O Exemplo que vem de Cima
A postura de quem lidera molda o comportamento de quem é liderado. Quando atos de agressividade psicológica e silenciamento são normalizados por figuras de autoridade, planta-se uma semente de violência que ecoa em toda a estrutura social. Não podemos exigir paz nas ruas se não houver respeito à fala e à autonomia das mulheres em todos os níveis.
Para que não esqueçamos como o desrespeito se manifesta antes da agressão física, deixo o registro de um episódio de silenciamento que marcou nossa história recente:
Nossa Missão
Não aceitaremos leis “cegas” ou braços cruzados. A Secretaria das Mulheres da Serra se solidariza com a família da Comandante e com a Guarda Municipal de Vitória. Seguiremos em vigília, combatendo a impunidade e a cultura do ódio.
Agradecemos à Associação Beneficente Caminho da Justiça por se somar a este grito por justiça.
Pelo fim da violência. Pela vida das mulheres.

