A promessa era de uma gestão técnica, pautada pelo compliance e pelo respeito absoluto às normas. No entanto, o que os moradores dos bairros São Cristóvão, Santa Marta e Joana D’arc testemunharam no último final de semana foi o retrato de uma administração que parece ter perdido o controle — ou a vontade de fiscalizar a si mesma.
O Flagrante do Descaso
Imagens obtidas pela Network JCN revelam um intenso foguetório e som em níveis abusivos durante um evento oficial no Parque Municipal de Barreiros. O barulho, que ecoou por toda a região, foi acompanhado por uma frustração ainda maior: a inoperância dos canais oficiais. Moradores relatam que, ao tentarem acionar o Disk Silêncio, a resposta foi o silêncio do próprio poder público.
Dois Pesos, Duas Medidas?
A pergunta que circula nas comunidades afetadas é direta: por que o rigor da lei só vale para o cidadão comum e para o pequeno comerciante? Enquanto o trabalhador enfrenta multas pesadas por qualquer excesso, os eventos chancelados pela prefeitura parecem gozar de uma “imunidade sonora” que atropela o sossego das famílias.
A “máscara” da gestão técnica, que apregoava processos rigorosos e ética acima de tudo, parece estar caindo diante da realidade dos fatos. Se o compliance fosse realmente o pilar desta administração, quem fiscalizaria os excessos cometidos dentro dos próprios parques municipais?
A Sociedade Exige Respostas
O Jornal o Centro dá voz a esses moradores que não aceitam mais o descaso. Vitória não precisa de discursos sobre ética; precisa de prática, decência e, sobretudo, respeito ao direito de sossego de sua população.
O “se liga” de hoje é um aviso: a sociedade está atenta e não aceitará que o compliance seja apenas uma palavra bonita em tempos de eleição.
Jornalista Lauro Nunes

