A política de Vitória atravessa um momento de tensão que ultrapassa as páginas policiais e entra no campo da Engenharia de Autoridade. O inquérito da Polícia Federal, que mira nomes como o ex-presidente da CDV¹, Evandro Figueiredo, o deputado Deninho Silva e o prefeito Lorenzo Pazolini, expõe a fragilidade que o estrategista político e jornalista Lauro Nunes vem alertando sistematicamente desde 2022.
O Convite de 2020 e o Desprezo
A história ganha contornos nítidos quando voltamos a 2020. Naquele ano, o partido Solidariedade convidou Lauro Nunes e Jaqueline Lopes para comporem a base aliada de Pazolini. Lauro, atuando como mentor e estrategista, passou a orientar a gestão sobre os riscos fatais de uma governança baseada em outorgas cegas e na perigosa confiança em operadores de bastidor.
Contudo, Pazolini optou pelo caminho do isolamento. Ignorou as estratégias mentoradas por Lauro Nunes — que domina a engenharia de base — e preferiu dar ouvidos a conselheiros sem experiência, alimentados apenas por teorias. O resultado foi uma primeira gestão caótica e uma segunda marcada por manobras de fachada que agora desmoronam sob investigação federal.
O Papel dos Operadores: A “Engenharia da Imagem” no Extremo Sul
Como Lauro Nunes sempre alertou, um líder que não sabe governar por si mesmo acaba refém de operadores. Enquanto os conselheiros teóricos desenham a estratégia de sobrevivência no papel, os operadores executam a “maquiagem” da realidade no orçamento público.
Um ponto crucial identificado na análise de Lauro Nunes é o Operador de Comunicação da gestão. Com um orçamento de publicidade que ultrapassou os R$30 milhões em 2025, observa-se uma movimentação atípica: o direcionamento de recursos para portais e veículos no Extremo Sul do Estado, como em Guarapari.
- A Estratégia do Operador: Lauro Nunes identifica aqui uma tentativa de construir uma “narrativa de exportação”. Por que investir tanto em mídia fora da capital? A resposta reside na construção de uma imagem regional para pavimentar a saída de Pazolini ao Palácio Anchieta. O operador de comunicação tenta vender um oásis em Vitória para o resto do estado, enquanto a estrutura interna é alvo de buscas e apreensões da PF.
O Jogo de Interesses: Por que manter Anderson Goggi?
O ponto nevrálgico do “esvaziamento” de Pazolini na Câmara Municipal de Vitória (CMV) é a sua insistência em manter o vereador Anderson Goggi na presidência. Por trás dessa decisão, Lauro Nunes identifica os pilares da manutenção do poder:
- O Escudo Legislativo: Com o inquérito da PF avançando, Pazolini precisa de um “porteiro” fiel. Conforme Lauro Nunes pontuou, manter Goggi é garantir que pedidos de CPI ou convocações de secretários permaneçam engavetados.
- O Controle do “Relógio das Contas”: Pazolini planeja sua renúncia para disputar o Governo do Estado alegando contas sanadas. Uma nova presidência na Câmara poderia abrir as “caixas-pretas” da prefeitura e da SECOM antes do prazo, destruindo a narrativa do superávit.
- Blindagem da Sucessora: O veto à eleição de um novo presidente é a tentativa de entregar a Cris Samorini uma Câmara sob controle, evitando que ela assuma o cargo já sob fogo cruzado.
O Parecer Jurídico: A Nulidade dos Atos, (Artigo 37 da CRFB de 1988).
Nossa redação consultou o advogado Luciano Gagno, doutor em Direito Público pela Universidade de São Paulo (USP), que reforça a gravidade técnica do cenário atual. Segundo o especialista:
“Os atos são absolutamente nulos, em razão da violação dos princípios constitucionais que devem nortear os atos da administração, em especial os princípios da impessoalidade, moralidade e eficiência administrativa, tendo em vista que foram atos motivados exclusivamente por razões políticas e interesses pessoais, em total detrimento do interesse público.”
A “Saída à Francesa”
Para Lauro Nunes, o movimento de Pazolini é um clássico da política de conveniência. Ele utiliza o veto e a manutenção forçada de Goggi como uma cortina de fumaça. Enquanto a base aliada se esvazia por se sentir traída, o prefeito prepara sua retirada estratégica.
Pazolini dará um sorriso, entregará números de propaganda e sairá de cena, deixando o incêndio político — alimentado por seus próprios conselheiros inadequados e operadores vorazes — para ser apagado por quem fica.
Em suma: O vácuo de autoridade em Vitória é o preço do desprezo ao conhecimento técnico e à mentoria de base. Como Lauro Nunes alertou, “não há outra forma de se proteger da adulação do que fazer com que os homens entendam que dizer a verdade não te ofende”. Pazolini preferiu os operadores que dizem o que ele quer ouvir. O inquérito da PF e a rebelião na Câmara são os frutos de uma árvore plantada na vaidade. A conta da “gestão multifacetada” e dos gastos transfronteiriços com comunicação chegará, inevitavelmente, para o povo de Vitória.
Jornalista Lauro Nunes

