Candidata do PV JACK LOPES cobra fiscalização rígida diante da nova corrida por minerais estratégicos, alinhando-se ao discurso de soberania defendido pelo governo Lula

O Espírito Santo já viveu, décadas atrás, uma corrida por um recurso mineral estratégico. Entre o fim do século XIX e a década de 1980, as areias monazíticas de Guarapari foram extraídas e exportadas para potências como Estados Unidos, França, Alemanha e Inglaterra, alimentando pesquisas nucleares durante a Guerra Fria. A atividade só foi encerrada em 1986, após a mobilização do então prefeito Graciano Espíndula Filho e uma longa disputa na Justiça Federal.
Décadas depois, o Brasil volta a ser cobiçado por um recurso mineral estratégico — agora, as terras raras, essenciais para baterias, veículos elétricos, ímãs e tecnologia militar. Em 2026, os Estados Unidos passaram a pressionar por acordos sobre minerais críticos brasileiros, inclusive negociando diretamente com governos estaduais.
A redação do Jornal O Centro questionou a candidata a deputada federal pelo Partido Verde, Jack Lopes, sobre como avalia esse histórico e a atual disputa por terras raras.
“O que aconteceu em Guarapari é uma lição que o Espírito Santo não pode esquecer. Exportamos matéria-prima estratégica por décadas e ficamos com pouco retorno real em tecnologia, indústria ou desenvolvimento social. Isso não pode se repetir com as terras raras.”
JACK LOPES
Para a candidata, o discurso liberal de países compradores nem sempre correspondeu à prática histórica de negociação com o Brasil.
“Historicamente, o que vimos foi um modelo de exploração de recurso bruto e mão de obra barata, mesmo vindo de países que se apresentam como liberais e parceiros comerciais. O Brasil precisa negociar de igual para igual, exigindo tecnologia, indústria e emprego aqui dentro — não só extração.”
Jack Lopes afirma que, se eleita, pretende acompanhar de perto as negociações federais sobre minerais críticos.
“Vou fiscalizar essa questão das terras raras de perto. O Espírito Santo já pagou esse preço uma vez, com a monazita. Não podemos deixar que a história se repita sem que o estado e o país sejam os principais beneficiados — em tecnologia, indústria, emprego, soberania econômica, infraestrutura, educação e moradia.”
JACK LOPES
A posição da candidata converge com a linha adotada pelo próprio governo federal. Em maio de 2026, durante evento em Campinas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu abertamente a soberania brasileira sobre o tema, afirmando que o país está aberto a parcerias internacionais, mas sem abrir mão do controle nacional sobre a exploração: “Pode vir chinês, alemão, francês, japonês, americano. Pode vir quem quiser. Desde que tenham consciência de que o Brasil não abre mão de sua soberania.”

